Vou comprar uma bicicleta. Hoje meus índices de stress chegaram ao máximo. Recorde. Tal como os índices de licenciamentos de carros aqui nessa cidade.
Fiquei preso, literalmente preso, boa parte das 2 horas que gastei para ir de Perdizes, em São Paulo para o Rudge Ramos em São Bernardo do Campo. Esse mesmo trajeto, há uns meses atrás, eu fazia em 1 hora. Ou seja, hoje demorei quase o dobro.
Fui tragado pela fumaça dos escapamentos, ouvi os comerciais do rádio misturado aos seus resquícios musicais.
Além de ir guerreando com os outros motores da cidade por espaço.
Cruzamento mal sinalizados, pessoas mal educadas para dirigir. Lixo por todo o lado. Mendigos caídos em cada esquina e viaduto.
Essa é minha visão do meu trajeto da minha casa à Universidade Metodista. Revoltante.
Equanto isso o governo comemora os recordes de produção de carros. Comemoração não sei do quê.
Isso é, segundo especialistas, completamente insustentável!
A produção e o licenciamento ultrapassa em muito o crescimento das vias públicas, e, (pasme!) do nascimento de pessoas. Pra piorar, as obras do metrô andam a caminhares lesmóides, depois de muitos anos paradas.
O rodoanel também não sai nunca. Aliviaria bem o fluxo de caminhões dentro da cidade.
Penso que só medidas drásticas poderão resolver a situação que já se encontra descontrolada.
Pedágio urbano (preço maior para menos pessoas dentro do carro) , imposto maior para a compra do segundo carro, carona obrigatória e limitação de horários para cargas são medidas impopulares, mas podem ajudar. E manter o Rodízio e a Área Azul (rotativo).
Mas essas medidas são meros paliativos.
A solução demanda uma atitude nos mais diversos setores da vida urbana. A logística do transporte entre o trabalho e a casa do individuo deve ser repensada.
Os prejuízos que acontecem com o trânsito parado devem ser levados em conta. Assim como os gastos com os 200 doentes e 12 mortos diários devido à poluição (LPAE-USP). Lembrando que os automóveis são os que mais poluem.
Mas o que deveria acontecer mesmo são as obras de expansão do metrô, das linhas de ônibus e dos trens. Tudo integrado, ágil e confortável.
Poderia-se dar a opção de o morador de São Paulo de utilizar bicicletas. Para isso deveria existir mais ciclovias e infra-estrutura para a segurança do ciclista e de sua bicicleta.
Será que o lucro de alguns deve prevalecer sobre o bem-estar de todos?
Esse ano é eleitoral, e obras é o forte deles para angariar votos. Mostremos aos abutres que não vai ser assim que vai acontecer esse ano. Basta de obras eleitorais que não resolvem o problema, não aguentamos mais o jingle ressoante na mente: “Foi Maluf que fez”